Thursday, October 20, 2005

Oi!!!!!

E eu aqui pensando no que escrever.
Assunto é o que não falta: Tem a corrupção, as CPIs, a febre aftosa, a seca na Amazônia, os jogos do brasileirão, o terremoto, o julgamento do Saddam, o referendo, e mais um montão de coisas.
Mas, para marcar meu retorno, ( sera? ) vamos falar de coisas boas, né?
Muito bem, hoje fui doar sangue. Era prá Ter feito isso há um tempão, já que faz mais de um ano desde a última vez que estive no hemonúcleo. Mas, sabe como é: amanhã eu vou e esse amanhã não chega nunca. Então hoje acordei decidida: Vou!
Essa história de doar sangue começou quando meu pai estava hospitalizado e precisando de uma transfusão.
É incrível como a gente nunca se preocupa com as coisas até que elas aconteçam conosco: A gente quase precisa ser obrigado a fazer uma coisa tão simples como ajudar o próximo. Então decidi que, dali para frente, eu iria doar sangue sempre que possível, não ia deixar alguém passar pelo mesmo que passei quando da doença de meu pai.
O bom da história é que, quando cheguei no hemonúcleo o local estava lotado. Tinha fila pra doação, o que não é muito comum. As doações normalmente não chegam a dez por dia.
O lado ruim é que foi preciso uma campanha maciça nas rádios e TVs, já que o estoque do banco de sangue estava no zero. E amanhã, vejam só, vai Ter até troca de sangue por ingressos para não sei que jogo, que é pra conseguir um número ainda maior de doações.
O lado bom novamente, é saber que as pessoas ainda se preocupam, ainda se sensibilizam. Hoje, pela primeira vez na vida, não me irritei com a fila que tive que enfrentar. E saí de lá feliz. O fato de saber que posso estar ajudando uma pessoa, qualquer pessoa, me faz muito bem. Faz com que eu me sinta mais leve.
Gente, doar sangue não dói, não faz mal, não demora. E faz bem: prá gente e prá quem precisa.

A outra coisa boa é que a roseira de Mamãe está brotando.
E o que tem de mais nisso? Ah, gente, vocês não conhecem a história desta roseira:
Dona Ana, minha mãe é louca por flores e plantas. Quase todos os dias ela aparece aqui em casa com mudas e sementes novas. E sempre dá um jeito de arranjar lugar para todas as suas " filhas " novas.
Bom, tudo começou quando fomos passar as férias na casa da irmãzinha - Conto depois como foram as férias -. Mamãe, como não podia deixar de ser, ficou encantada com tantas flores e tanto verde e tanta cor, e queria, a todo custo, roubar mudas de todas as plantas que víamos pelo caminho: Do parque, da casa do vizinho, dos jardins, de todos os lugares. Era preciso brigar com ela para que não arrancasse todas as mudinhas para trazer para casa.
E era tanto falar de flor e de plantas, e tanto parar no caminho para admirar algumas delas que mamãe acabou conseguindo o que tanto queria: Sementes de um catatau de flores. Muitas e muitas sementes , graças a gentileza do meu cunhado , que queria presenteá-la e ficou um dia inteiro rodando conosco pela cidade procurando especialmente pelas rosas amarelas de que ela tanto gostou. E não tendo encontrado no mesmo dia as rosas amarelas, ainda teve o trabalho de sair no dia seguinte para comprá-las.
E que trabalho deram as rosas amarelas, não só para o cunhadinho, como para mim e a para a irmãzinha, que tivemos que convencer mamãe de que não era possível trazer as rosas plantadinhas como estavam. Era preciso arrancá-las da terra e trazer somente as mudas. E mamãe queria a todo custo, trazer junto a terra em que elas estavam plantadas. Já viu isso? Carregar terra na bagagem?
Para convencê-la a não trazer junto a terra em que as roseiras estavam plantadas, irmãzinha usou de um método muito eficiente, que consiste em se fazer de surda enquanto mamãe reclama. E coooomo mamãe reclama quando quer: " Você está tirando terra demais, deixa um pouquinho mais aí, acho que vou colocar esta terra que você tirou numa sacola e levar junto". Aí era hora de eu usar meu método não menos eficiente que consiste em fazer um bico do tamanho do mundo e começar a resmungar: " e quem é que vai carregar esta terra? Eu né? Tem pena não? esse peso todo, haja coluna. Assim não dá ,a mulher vem viajar e quer levar terra de lembrança, eu hein!!"
Bem, o caso é que depois de muito trabalho convencemos mamãe de que não era possível trazer a terra.
Aí começou a Segunda parte da história: convencer mamãe de que mesmo as mudas e as sementes não deviam ser transportadas na mão. Quase que ela chora coitada: " elas vão morrer assim".
Eu e irmãzinha em coro: não vão, não. Na mão é que elas não podem ir"
Enfim, mamãe não muito conformada, concordou conosco.
No dia seguinte, pudemos constatar o quanto mamãe realmente gosta de plantas: Irmãzinha foi mexer nas mudas da roseira, para molhar suas raízes antes da viagem e mamãe ,ouvidos atentos, grita lá de baixo: O que é que vocês estão fazendo com a roseira? Ao que irmãzinha responde brincando: Estou tirando as mudas daqui, você não vai poder levá-las. E mamãe: então eu fico também. Pode?
Aí começou a terceira parte da história que foi plantar as mudinhas aqui em casa. Tá pensando que esse negócio de plantar é assim? Vai lá faz um buraco no chão e enterra a raiz ? Né, não. Mamãe primeiro vai ao calendário ver em que fase está a lua, depois observa a posição do sol, nunca planta nada aos Domingos, só poda as roseiras em meses que não tenham a letra "r", - ou será o contrário? -, usa um adubo feito por ela mesmo ( cascas de frutas, pó de café, casca de ovo e etc...), e assim segue um verdadeiro ritual, que no final das contas dá certo, porque suas plantas estão sempre muito bonitas.
Assim, ao chegar em casa, uma das primeiras preocupações de mamãe foi com as mudas e novamente tive que usar de um método - este um pouco mais duro, consistia em brigar de verdade com ela - para convencê-la a ir descansar e deixar para cuidar de seu jardim no outro dia.
Dia seguinte, lá vai ela, plantar suas rosas amarelas: calendário, olha pro sol, aduba a terra e pede muito a Deus para que a roseira vingue. Aliás, todos nós pedimos a Deus, porque depois de tanto trabalho a danada da roseira tem que crescer forte e bonita.
Parte final da história: Ontem mamãe estava com um sorriso radiante: A roseira brotou.
Agora é torcer para as tulipas - onde já se viu querer cultivar tulipas num calor de 40 graus? - que estão na geladeira, também vinguem.
Isso sem falar na samambaia que ela ganhou hoje, e na florzinha branca que ela não sabe o nome, e na costela de adão, "que a da sua irmã está tão bonita......."

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E gente, só prá constar: Estou melhor, graças a Deus. Os problemas ainda continuam, mas como dizem os antigos o tempo é mesmo um bom remédio

Wednesday, September 07, 2005

É isso!!!

Durante este tempo tive tempo ( ou quase ) para refletir profundamente sobre alguns aspectos e algumas pessoas de minha vida. As conclusões a que cheguei formam um sem número de motivos para outras tantas reflexões.
Estou tentando mudar os aspectos negativos que tornaram minha vida uma confusão ultimamente. As pessoas, não posso mudá-las. Cada um é como é, mesmo quando está fazendo mal para a gente. O caminho é tentar me envolver o mínimo possível com elas, eu acho.
Continuo achando muita coisa, não perco a mania de procurar o lado bom das coisas.
Aliás acho que esta mania, as vezes passa a ser defeito em vez de qualidade. Porque as vezes deve ser mais simples passar por cima de tudo e pronto! tá lá, e se não der certo a gente tenta novamente. Só que eu não sei ser assim, tenho que pensar sempre em como agradar a todos ( vá lá que ultimamente não tenho tentado muito não. Mas é que a porrada que a vida me deu foi tão forte que fiquei escaldada ).
E eu nem sei se fiquei mais forte depois de tudo, sei apenas que fiquei mais magoada.
Bem, passada a fase mais crítica, parece que tudo fica mais fácil, parece que o caminho não é tão longo, que já está tudo ao alcance da mão novamente.
Mas a dor ainda é forte, ainda incomoda, e eu sei que se a ferida for tocada, vai sangrar.
E eu fico aqui falando e falando e ninguém vai mesmo entender o que aconteceu. É que tem coisas que só dá pra sentir e mesmo quando a gente tenta dividir, que é pra ver se a dor diminui um pouco, os fantasmas todos tornam a aparecer. Mas só de conseguir falar, um pouquinho que seja do que está sendo minha vida, mesmo falando assim aos tropeções e de qualquer maneira já dá pra aliviar um pouco.
É como diz meu amigo Wilson: Dor é invisível, só quem sente é que sabe o quanto dói..
sei que minha vida mudou. Se pra pior, se pra melhor, o tempo vai dizer,
Se ainda houver vida.
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Sunday, August 28, 2005

Cadê eu?

Eu tô aqui, tentando ressurgir das cinzas!!!

Monday, June 27, 2005

Dúvidas

Quando eu era criança:
Meu irmão mais velho me dizia que meninas não andavam balançando os braços.
Meu primo me ensinou a dançar " pezinho para cá, pezinho para lá, mãozinha para trás" como deviam fazer as meninas.
Minha mãe me disse ensinou que meninas só devem se sentar de pernas juntinhas.
Meu pai me ensinou que meninas não falam palavrão, não pulam carnaval e não correm atrás de doces de São Cosme e Damião.
A vizinha, Dona Helena, me ensinou que meninas não dançam na rua.

Então quando eu era criança:
Fiquei tímida e desajeitada. "Cara de broa" era meu apelido
Tinha medo de falar e alguém me chamar a atenção
Chorava de vergonha e de medo das coisas
Vivia escondida nos cantos, com medo de contrariar as pessoas.

Mas também quando eu era criança:
Corria atrás de doces escondida.
Dançava no meio da rua com as amigas da escola.
Não dançava nunca de mãozinha prá tras.
Nunca prestei atenção aos braços na hora de andar.
É verdade que nunca pulei carnaval e sempre sentei de perninhas juntas. Tem até foto bonitinha,


Quando era adolescente:
Minha mãe me ensinou que saia muito curta era coisa de "mocinha sem juízo"
Minha Avó me ensinou que moças só fumavam dentro de casa que na rua era feio.
Meu pai me ensinou que namorar só em casa.
Meu pai e minha mãe marcavam horário para chegar em casa. Nunca depois das dez.
Minha mãe me disse que trabalhar só depois que eu me formasse. Queria um emprego bom para a filha


Então quando eu era adolescente:
Usava nano-saias
Fumava na rua e nunca dentro de casa
Nunca levei o namorado em casa
Nunca cheguei em casa no horário marcado. Na maioria das vezes nem chegava
Queria trabalhar em qualquer coisa.


Quando eu era mais velha um pouquinho:

Mãe, Pai, Avó, primos e irmãos não me ensinavam mais nada,mas Mãe e Pai continuavam aconselhando
Parei de estudar
Comecei a trabalhar
Parei de usar saias.
Continuei fumando só na rua
Parei de dançar
Definitivamente não tinha horário para estar em casa. Aliás morava mais fora de casa do que outra coisa.
Continuei andando sem prestar atenção aos braços ( ou ao irmão ).
Não levei o namorado em casa.

Hoje:

Ainda não uso saias
Fumo dentro de casa e na rua
Voltei a estudar
Só danço dentro de casa, nunca de mãozinha pra trás
Continuo trabalhando
Chego em casa sempre no mesmo horário
O namorado não veio aqui ainda.
E ainda não sei nada sobre os braços.

Dúvidas:

Será que quando criança eu era um menino e não sabia? Ou eu era apenas um cachorro bem treinado?
Será que minha mãe rogou uma praga por causa do tamanho das saias e eu nunca mais vou conseguir usar uma?
Será que um dia vou parar de fumar, em casa ou na rua?
Será que um dia não vou ter vergonha de dançar em público?
Será que um dia vou ganhar na mega-sena e parar de trabalhar? Ou vou conseguir me formar e conseguir um " bom emprego "?
Será que um dia o namorado vem em casa?
Será que um dia vou olhar para a Dona Helena e não achar que ela se mete demais na vida dos outros?
Será que um dia vou achar graça em pular carnaval? ou será esta outra praga de mãe e pai?
E a dúvida mais importante: Será que um dia vou saber o que é que tem os braços, afinal de contas?

Monday, June 20, 2005

OI!!!

Não tem a musiquinha:
"Sabe esses dias
em que horas dizem nada,
e você nem troca o pijama,
preferia estar na cama.
Um dia a monotonia
tomou conta de mim
é o tédio cortando meus programas
esperando meu fim"

Então...

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Conversando com Yasmim, minha sobrinha de oito anos:
- Yasmin o que você está aprendendo na escola?
- A tia ainda não ensinou a escrever de mãozinha dada e eu já sei escrever quase tudo assim.
- E o que mais?
- Já sei a matemática quase toda.
- É ?
- É, já sei compor e decompor, somar eu sei, diminuir ainda não sei direito.
- E o que mais você está aprendendo?
- Sobre os seres vivos, você não viu o feijão que eu plantei?
- Não, não vi, o que tem?
- Tenho que dar água prá ele todo dia, assim a semente vai nascer.
- E depois?
- Ué, tia, depois a gente come o feijão né? Ô manezona!!

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Ouvindo Ana Olívia, minha sobrinha de quatro anos:

- Papai, você me pesa?
- Sobe aí.
- Quanto papai? quantos metros eu peso?
- Quatorze quilos.
- Viu, não te falei que eu estava um pouco "engordecida"?

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Conversando com Gabi, minha sobrinha de seis anos:

- Tia Nanda, você tem medo de escuro?
- Não, Gabi, eu não tenho.
- Ah, eu tenho muito medo do escuro, sabe? Por isso eu faço xixi antes de dormir que é pra não ter que levantar de noite, senão eu tenho que chamar alguém pra me levar no banheiro.
- Bobagem, Gabi, o que tem no escuro é a mesma coisa que tem no claro.
- É tia, mas aí eu não tô vendo, né? ( e fecha os punhos e põe na testa me chamando de burra )
- Então se você não está vendo, porque é que tem medo?
- Ué, tia, por isso mesmo. Se tá claro eu sei o que é, aí eu grito e sei explicar. No escuro eu só vou gritar.
- Tá bom gabi, mas e se acabasse a luz pra sempre, você nunca mais ia sair do lugar?
- ( de novo mão na testa ) O tia, já inventaram a lanterna, tá?
- e se não existisse nem luz nem lanterna?
- Aí eu acendia o fogo, ué!
- É, mas aí sua casa podia pegar fogo.
- Não pegava porque eu não deixava, que eu ia acender um fogo bem pequenininho, mas se pegasse fogo aí todo mundo ia levantar e eu podia ficar sem medo.
- Ô Gabi, como é que você tem medo de levantar pra fazer xixi e não tem medo de levantar prá acender o fogo?
- ( mão na testa, pra variar ) Isso aí era só se não tivesse luz, esqueceu? Pensou que ia me fazer de boba, é?

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Lembro que, quando era criança existia um programa na TV chamado "esta é a sua vida". Lembro até da voz do cara anunciando: " e agora, esta é a sua vida, com J. Silvestre". E levavam lá uma figura e falavam um monte de coisas, e levavam um monte de pessoas patati-patatá.
Daí que, sem nada pra fazer, fiquei pensando: se fossem fazer uma homenagem para mim em um programa desses como seria? Na televisão não, que eu não sei porque só falam da parte boa e das qualidades da pessoa. Ninguém diz que a pessoa é chata ou outra coisa.
Acontece que as vezes a gente acha que é uma coisa e na verdade é outra. Às vezes a gente passa uma impressão que não é a verdadeira, seja pra melhor ou pra pior.
Tem gente que fala umas coisas de mim, que não sei não. Fico em dúvida se a pessoa acha aquilo mesmo ou se está apenas tentando agradar. Mania que a gente tem de não querer ver o lado bom das coisas.
Sou uma pessoa cheia de defeitos e são muitos. Sou humana, erro e muitas vezes repito o erro. Às vezes me arrependo, às vezes não. Tenho que conquistar meu espaço, minha felicidade, preciso atender a apelos que vem de dentro, preciso eu mesma me respeitar, me amar, me entender, me aceitar, andar de acordo com meus princípios, lutar pelos meus sonhos, pelo que quero e preciso. Então não é sempre que posso abrir mão disso tudo pra fazer outra pessoa feliz. Aí então, para quem olha, passo a ser chata e cheia de manias, egoísta e insensível. Má.
Mas má eu sei que não sou.
Tenho um jeito meio fechado. Na verdade sou uma pessoa muito tímida e às vezes por não saber o que dizer ou o que fazer, passo por, digamos, " metida a besta ".
Bom, mas não era sobre isso que eu ia falar. Na verdade o que acontece é que quando uma pessoa te diz:
- Você é muito chata, muito fechada, teimosa, mau humorada, tem um gênio do cão, mas mesmo assim eu gosto de você e te respeito muito, aí você para prá pensar: Ó, e eu que achei que era uma santa a vida inteira.
Vou mudar meu jeito de ser? eu não, que sempre fui assim mesmo e não saberia ser de outra maneira.
Aí, no mesmo dia, quase na mesma hora vem outra pessoa e te diz:
- Você é tão doce, tão humana, tão gente boa, tão espirituosa, inteligente, gosto tanto de você sabia? Aí você para pré pensar: Ó, e eu que achei que era o cão a vida inteira.
Vou mudar meu jeito der ser? eu não, que sempre fui assim e não saberia ser de outra maneira.
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Monday, June 06, 2005

Oi!!

Para alegria (?) de minha meia dúzia de leitores resolvi aparecer novamente.
Ando tão sem tempo e tão cansadinha que o resultado é um desânimo DAQUELES.
Na verdade não tem acontecido muita coisa na minha vida. É só a velha rotina de sempre se instalando novamente:
Muita coisa pra fazer no emprego, que ainda é o mesmo, e muita coisa pra fazer em casa que também é a mesma ainda.
Mas não desisti de mudar de mudar nenhum dos dois. No emprego as coisas até que não estão tão ruins agora, apesar de tudo. Minha carga horária diminuiu, mas tenho trabalhado o dobro, cortesia do ex-colega com seu horário maluco que só beneficiou quem não precisava. Mas tudo bem, não tenho preguiça e não tem outro jeito mesmo, a não ser encarar. O que me deixa muito chateada é o fato de ter sido prejudicada por um colega, que como eu, precisa trabalhar para viver. Mas como tudo tem seu lado bom, consegui tirar proveito da situação ( não sem antes me estressar muito, em várias conversas com o patrão ) e agora minha situação melhorou um pouco: consegui um aumento de salário, que não é muito mas sempre é bem-vindo e também uma folga durante a semana. Claro que tenho que trabalhar durante todo o dia de sábado, mas antes era assim e eu não folgava durante a semana. Mas o mais importante é que consegui um pouco mais de respeito por parte do patrão, que afinal de contas não é cego nem burro e viu que eu estava - estou - sendo prejudicada. O que acontece é que eu era paga para trabalhar somente no caixa, mas com o tempo acabei acumulando todas as outras funções da loja. Daí comecei a ganhar também comissão só que menor que a dos outros, já que minha carga horária antigamente era menor que a deles. Agora que temos todos a mesma carga horária, nada mais justo que um aumento de salário para mim, além da comissão é claro. E meu patrão, pasmem, quando está no balcão, passa as vendas dele para mim. Novamente nada mais justo, apesar dele não ter a menor obrigação de fazer isto. Mas o cara tá vendo que meu serviço aumentou, por conta do novo horário, que me obriga a passar a manhã inteira atolada até o pescoço, alternando entre balcão, caixa, perfumaria e escritório enquanto um dos outros funcionários só vai chegar ao serviço na parte da tarde. Tá bom que quem pega mais tarde, sai mais tarde, óbvio, mas ai são só duas horinhas que o cara vai ficar a mais, e num horário em que não existe movimento nenhum na loja e os problemas já estão todos resolvidos, porque além do movimento de vendas ser maior na parte da manhã é neste horário também em que chegam as entregas, aparecem os vendedores, são feitas as encomendas, é preciso cadastrar o que chegou, é preciso dar baixa nas notas e mais um monte de coisas. E quem está lá todo dia pela manhã? Euzinha aqui. E chega na parte da tarde tenho que terminar o que não consegui fazer pela manhã, enquanto os outros estão de papo para o ar. E tá rolando uma situação muito esquisita, porque agora os patrões conversam muito mais comigo, e os outros funcionários parece que ficam achando que está havendo uma "traição" de minha parte. Ora, não sou mulher de puxar saco de ninguém, o que acontece é que sempre deixei claro que gosto de justiça, e agora que ela veio - não toda, mas veio - não tenho motivos para ficar brigando o tempo todo. Não tenho nenhuma garantia de que amanhã ou depois a situação vá mudar novamente e não vá perder o que conquistei, mas por enquanto não vou comprar briga com ninguém, melhor, não vou comprar briga DE ninguém já que não fui eu quem criou esta situação e sinceramente não vejo motivos para me envolver numa situação que não é mais minha, já que sempre lutei pelos direitos de todos, nunca fui procurei melhorias só para mim mas para todos os funcionários e na hora em que consegui alguma coisa fui, eu sim, traída pelos colegas. Agora é esperar pra ver no que vai dar.
Então, eu estava dizendo que estou cansada né? Então junta o cansaço do serviço e de casa - que esta vida de Dona Maria não acaba nunca - mais o problema no joelho que ainda não terminou, e que além das várias sessões de fisioterapia agora me obriga a uma série de exercícios e caminhadas diárias que me deixam com baita dor na perna, mais o fato de que vou voltar a estudar - novamente -, mais uma encomenda de última hora de uma manta e uns quadros e mais isso e mais aquilo e eu sou isso que vocês podem perceber, ou seja: Tõ no bagaço.
Ah, gente ia esquecendo: recebi uma proposta de emprego lá no Tocantins. Vamos ver se rola. Depois eu conto.
Beijos!!!!!

Thursday, May 26, 2005

Saudades

Ontem, dia 25, foi um dia triste para mim. Se estivesse vivo meu pai teria feito aniversário ontem.
Ainda não fez um ano que ele partiu e é ainda muito difícil lidar com algumas situações.
Acho que o mais difícil do dia de ontem foi lembrar que este foi um dos dois últimos pedidos de meu pai: passar o dia do aniversário em casa, junto de sua família, de suas netas. O outro pedido foi que levássemos um padre em casa para lhe administrar a comunhão e ouvir sua confissão.
E, estranho, meu pai era avesso à festas. Fazia questão somente de ter a família reunida em poucas ocasiões como o Natal.
Lembro como se fosse hoje o dia 25 de Maio do ano passado: Ainda era uma das primeiras consultas a que ele ia fora do PSF aqui do bairro. Saiu de casa pela manhã, acompanhado de minha mãe e passou o dia inteiro no hospital. Enquanto isso, eu na hora do almoço, fiz seu bolo de aniversário e à tardinha, com a ajuda da Márcia, minha cunhada, terminei de confeitar o bolo e preparei alguns petiscos, aguardando pela chegada de meu pai. E, para minha surpresa, o que recebi foi um telefonema de minha mãe, perguntando o que devia fazer: deixar meu pai no hospital como o médico havia mandado ou atender seu pedido e trazê-lo para casa para comemorar o aniversário. Confesso que fiquei em dúvida no momento, que com saúde não se brinca. Mas meu coração já me dizia o que iria acontecer, e resolvi que era melhor deixar que meu pai passasse o resto do dia, ou melhor, da noite, em casa. E hoje sei que fiz a coisa certa. Me lembro de seu rosto, de sua expressão, de seu olhar, um pouco triste, um pouco resignado, um pouco feliz, um pouco vazio, um pouco agradecido.Misto de emoções.
Ele nunca ficava acordado com a gente em nossas comemorações, mesmo na de se aniversário. E naquele dia ele ficou, sentado como um menino no sofá da sala, esperando pela chegada das netas. E reclamava um pouco pela demora da neta que faltava, a Ana Carolina, dizendo que estava cansado e queria se deitar, mas antes queria ver todos os netos.
Acho que ele já sabia naquele momento que teria pouco tempo de vida. Muitas vezes, depois deste dia, ele me disse isso. Que estava somente esperando a hora.
E repito, hoje sei que fiz a coisa certa, permitindo que ele passasse seu aniversário em casa. De qualquer maneira, os problemas que ele tinha eram sérios demais e não faria diferença um dia a mais ou a menos no hospital. Na época eu não sabia disso e fiquei com medo de ter contribuído para que seu estado de saúde se agravasse e às vezes achava que tinha tomado a decisão errada. Com o passar do tempo e nas várias conversas com os médicos soube que não teria mesmo jeito.
E me lembro do último desejo que pude realizar para meu pai e me sinto bem pelo que fiz. Acho que, ao contrário, se tivesse dito para que minha mãe o deixasse no hospital, teria antecipado sua partida.
Gostaria, às vezes, de não ter que ser responsável por tomar certas decisões, mas na vida a gente não pode escolher só o que é bom. E tudo tem dois lados também...
Sei que ontem acordei e falei para mim mesma: hoje não vou ficar triste. Mas não teve jeito. Bateu saudade.
E o que é mais estranho, é que nunca tive uma relação tão estreita como meu pai. Não conversávamos muito, isso de bater papo, de contar de sua vida, de falar do que pensa e este tipo de coisa. Meu pai era uma pessoa difícil, muito difícil e só começamos a nos entender depois que fiquei adulta. Nunca encarei meu pai como um super homem, SÓ porque era meu pai. Sempre vi seus defeitos e erros, mas vi também seu lado mais humano e doce. Dizem que homem não chora, mas eu acho que só é homem de verdade aquele que não tem vergonha de mostrar suas lágrimas. E o homem que mais vi chorar na vida foi meu pai. Lágrimas não de tristeza, mas de emoção, quando você ia lhe dar um abraço de aniversário ou de dia dos pais, de natal. Lágrimas quando ele via uma reportagem triste na tv e dizia: Tá vendo, Nanda, olha o exemplo,aprenda alguma coisa. Lágrimas ao ver uma pessoa doente.
Lágrimas, lágrimas alegres de meu pai. E lágrimas que eu tento não derramar quando me lembro dele, quando percebo a ausência dele.
Feliz aniversário meu pai. Sinto saudades de você.